"A flora litoral do sudoeste de Portugal é caracterizada pelo cruzamento de influências Norte Atlânticas, Mediterrânicas e Africanas, de que resultam condições ecológicas singulares e uma enorme diversidade de fauna e flora, o que confere uma enorme riqueza natural à região. A flora vascular desta região caracteriza-se pela sua extrema particularidade, reunindo várias espécies raras, endémicas e ameaçadas, muitas das quais classificadas e com estatuto prioritário de protecção nacional e comunitário (...) Uma vez que a vegetação é predominantemente mediterrânica, surpreende a presença de espécies serranas e de climas húmidos, tão perto do mar e no limite da sua tolerância ecológica, verdadeiras relíquias de uma flora distante em tempo e espaço. Com cerca de 750 espécies, a flora do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina possui cerca de cinco dezenas endémicas e doze não existem em mais nenhum local do mundo. São consideradas raras: o samouco, Myrica faia , é uma relíquia da época do Terciário, antigamente muito comum entre Sines e Vila do Bispo. Também a sorveira, Sorbus domestica , é igualmente uma raridade e, tal como a primeira, pode observar-se perto de Vila Nova de Milfontes, acompanhando um afluente do rio Mira. De assinalar mais a sul ainda na característica flora vicentina, plantas como a Biscutella vicentina, Diplotaxis vicentina e Hyacinthoides vicentina , cujos nomes específicos ilustram de forma clara a sua distribuição geográfica restrita a pouco mais que os Cabos de Sagres e S. Vicente. Na foz dos grandes barrancos, como por exemplo do Rio Mira, Ribeira do Seixe, Ribeira de Aljezur e entre Arrifana e Vila do Bispo, surpreendentemente podemos encontrar plantas serranas. Nos relevos das Serras do Cercal, Brejeira, Monchique e Espinhaço de Cão, encontramos espécies muito interessantes, verdadeiras relíquias de épocas com climas mais húmidos. Destacam-se os géneros Centaurea , Senecio , Bupleurum , Rhododendron , e Quercus . Esta identidade vegetal, manifesta-se também na vegetação das vertentes com os seus medronhais frondosos. |
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